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Prémio Intermarché Produção Nacional
A máquina invisível que leva os produtos à nossa mesa
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A máquina invisível que leva os produtos à nossa mesa

Logística do Grupo Mosqueteiros trabalha dia e noite com produtores locais, tecnologia de ponta e combate ao desperdício para garantir fruta, carne e peixe frescos, seguros e mais baratos nas prateleiras.

Quando entre numa superfície do Intermarché, o consumidor vê fruta apetitosa, legumes viçosos, carne e peixe com aspeto fresco e a bom preço. Mas por detrás de maçãs, alfaces ou postas de peixe há uma máquina gigantesca, quase invisível, que não para um minuto: a logística. Centenas de produtores e funcionários garantem que os produtos chegam às lojas frescos, seguros e a um preço justo para os produtores e para a carteira dos portugueses.

Numa conversa integrada no Prémio Intermarché Produção Nacional, que decorreu na Feira Nacional de Agricultura, em Santarém, levantou-se o véu sobre o que acontece antes da chegada da mercadoria às prateleiras das lojas. Nelson Dinis, coordenador de Operações Logísticas da Transbase do Grupo Mosqueteiros, e João Araújo, responsável pelo departamento de transformação e excelência nos Frescos do Intermarché, explicaram como se faz o caminho da produção ao carrinho de compras.

“Costumamos dizer que a melhor logística é aquela que não se vê”, dispara Nelson Dinis no início da conversa. Há uma cadeia de processos montada ao milímetro. Tudo começa no produtor, passa pelas equipas de compras, segue para a logística e só depois chega à loja. Pelo meio, há recolha de mercadoria, conferência, manipulação, armazenamento em frio, separação por destino, carregamento e expedição. Cada passo tem regras apertadas e margens de erro muito pequenas, sobretudo quando se trata de produtos frescos.

O grande objetivo é pôr o produto certo, na loja certa, na quantidade certa, na hora certa. Quando isso acontece, a logística passa despercebida. E é exatamente isso que, segundo Nelson Dinis, significa um trabalho bem feito.

A melhor logística é aquela que não se vê

Cadeias curtas

Para os dois responsáveis da marca, os portugueses cada vez mais querem saber a origem dos alimentos adquiridos e valorizam o produtor local. Há uma pressão crescente sobre o retalhista para um apoio à produção nacional e a redução do desperdício alimentar. A resposta a estes desafios passa pelas chamadas cadeias de abastecimento curtas, que aproximam a origem do consumo.

“Tudo muda com produtores locais”, admite Nelson Dinis. Quando se trabalha com um grande fornecedor industrial, há normalmente um único ponto de recolha. O camião sai, carrega tudo num só sítio e segue para o entreposto. A operação é mais simples e mais rápida de organizar.

Mas quando se opta por produtores locais, espalhados pelo País, a operação implica muitos pontos de recolha, muitos horários a conciliar, muitos volumes diferentes. É preciso desenhar rotas complexas, agrupar produtores por zonas, adaptar a frota, ajustar horários. A logística fica mais difícil, mas há um ganho na qualidade e proximidade. “Podemos acompanhar o produto desde a origem”, explica Nelson Dinis.

Tecnologia decisiva

Nos frescos, o relógio manda. “Uma hora pode fazer a diferença”, recorda o responsável. Para a mercadoria chegar rapidamente ao destino, a logística tem de conhecer bem a realidade dos produtores e das lojas. É preciso saber quando a produção está pronta, quando se pode recolher, a capacidade dos armazéns, as janelas horárias das lojas e ainda ter margem para imprevistos.

A complexidade da máquina transformou a tecnologia numa ferramenta “indispensável” à gestão de todo o processo, devido aos sistemas automáticos para controlar stocks, entradas, saídas, temperaturas, rotas e prazos.

Nos armazéns, sistemas de gestão indicam onde está cada produto, para onde vai e quando tem de sair para cumprir as datas de validade. A automação e o controlo por código de barras e terminais móveis fazem parte do trabalho diário.

Na estrada, a tecnologia também manda. O grupo renovou a frota de frio, com camiões que permitem controlar, ao minuto, a temperatura do semirreboque. Antes de carregar, é possível confirmar se o veículo está higienizado e se a temperatura é a correta. Durante o transporte, a central acompanha tudo à distância. Se houver um desvio de temperatura, dispara um alerta.

“A grande diferença está em sermos proativos e não reativos”, explica Nelson Dinis.

Cada produto traz consigo um rasto de detalhes: quem produziu, quando, onde, como foi transportado, a que temperaturas esteve, que lotes integra. “A informação é o maior desafio”, reconhece Nelson Dinis.

Em Portugal, a rastreabilidade, o bilhete de identidade de um produto, tem dado passos gigantes. Através de códigos QR e outros sistemas é possível seguir o produto do início ao fim. Por isso, a exigência máxima é um lema do Intermarché. Na receção da mercadoria, se a documentação não estiver em ordem, se os dados não forem fiáveis ou as normas não estiverem cumpridas, o produto é rejeitado à partida. “Estes dados são essenciais para a segurança alimentar e, sobretudo, para ganharmos a confiança do consumidor”, frisa Nelson Dinis.

No Programa Origens do Intermarché, cinco técnicos no terreno visitam semanalmente os produtores, verificam práticas agrícolas, confirmam registos e garantem o cumprimento das normas. Além disso, empresas certificadoras externas validam as boas práticas.

Para o consumidor, esta informação está à distância de um telemóvel ou etiquetas detalhadas. Para alguns, bastará ver a origem. Para outros, será importante saber o tipo de produção, o nome do produtor ou a data exata de colheita. “A breve prazo, será um fator-chave nas escolhas do cliente”, acredita João Araújo.

O equilíbrio do preço é outra preocupação na relação entre o Intermarché e os produtores. O objetivo da marca é oferecer frescos com qualidade acima da média ao melhor preço do mercado, sem pôr em causa a atividade de produção. “Não queremos estrangular os produtores com um preço muito baixo que não permita sobrevivência a médio prazo”, garante João Araújo.

Não queremos estrangular os produtores com um preço muito baixo que não permita sobrevivência a médio prazo

Menos desperdício

Essa sinergia significa o apoio ao produtor no aproveitamento de “20, 30 ou 40 por cento da produção”. Há fruta fora do calibre, legumes com formatos estranhos, produtos com pequenas falhas de aparência, mas perfeitos por dentro. O objetivo é mudar o cenário de dificuldade no escoamento destes frescos.

“Dentro do grupo, discute-se como aproveitar estes produtos: na gastronomia, pastelaria, sobremesas ou outras formas de transformação”, conta João Araújo. Em vez de deitar fora fruta que não cumpre o calibre, dar-lhe uma nova vida em bolos, sumos, saladas preparadas ou outros artigos com valor acrescentado. O mesmo se aplica a produtos que já têm dois ou três dias de loja, mas continuam em perfeitas condições.

“Gostava muito que o Intermarché fosse pioneiro nesse sentido”, confessa João Araújo, defendendo uma comunicação clara com o cliente para a valorização de produtos no fim do ciclo de exposição, mas bons e reaproveitáveis. A ideia é ir além do desconto, mostrando como o consumidor ajuda o ambiente e o produtor na disponibilidade para a segunda vida dos artigos.

Há ainda uma outra consequência positiva no combate ao desperdício alimentar patente nos cálculos dos preços. “Insígnias como o Intermarché e a concorrência sabem que as quebras fazem parte da constituição do preço. Se conseguirmos diminuir a quebra, reaproveitando os produtos, podemos ter um preço ainda mais competitivo para o consumidor”, esclarece João Araújo.

Por outro lado, o Grupo Mosqueteiros investe há anos na redução da pegada ambiental provocada pela logística. A reestruturação das centrais de frio, o uso de tecnologias mais eficientes e o controlo contínuo dos equipamentos permitiram redução de consumos sem comprometer a conservação dos alimentos. A iluminação LED em edifícios e armazéns foi outro trunfo, diminuindo a energia gasta de um ano para o outro em cerca de 40 por cento.

Ao mesmo tempo, a aposta em painéis fotovoltaicos já permite que cerca de 42 por cento da energia consumida seja produzida pelo próprio grupo. “É um negócio em que ganhamos todos”, garante Nelson Dinis.

No transporte, as rotas são pensadas ao pormenor para evitar camiões vazios na estrada. Em parceria com fornecedores, o grupo tenta que as viagens sirvam os propósitos de transportar produtos e trazer outros de volta, com menos quilómetros, dinheiro gasto e impacto ambiental.

Mas o Intermarché propõe-se continuar a trabalhar na melhoria de processos. Nos próximos anos, “o grande desafio é ganharmos esta sinergia entre todos”, nas palavras de Nelson Dinis, referindo-se ao trabalho em conjunto de logística e área dos frescos.

Uma das apostas é a melhoria da adaptação das cadeias de abastecimento à realidade de cada região. A visão é nacional, mas a atuação tende a tornar-se cada vez mais local. O objetivo é pôr em cada loja “o que de melhor se faz naquela região”, segundo João Araújo, sem perder a capacidade de ter uma oferta coerente em todo o País. Ao mesmo tempo, o futuro passa por trabalhar produtos específicos, feitos quase por medida, a partir das necessidades reveladas pelos clientes nas lojas.

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