Salicórnia, o “espargo do mar” ou “sal verde” que substitui o sal de cozinha
Dois profissionais das áreas de gestão de espaços rurais e de gestão costeira, nomeadamente de salinas, juntaram-se, em 2017, para criarem um projeto de produção de Salicórnia ramosíssima, uma planta também conhecida por “sal verde”. O objetivo era a exportação deste produto em fresco, sobretudo para a Holanda, Bélgica e França, mercados onde estava sobejamente divulgado, ao contrário do português.
O que não deixa de ser curioso, dado que a salicórnia já era usada, pela sua riqueza em vitamina C, no tratamento do escorbuto nas caravelas que cruzavam os mares por altura dos Descobrimentos, embora só as pessoas que trabalhavam em salinas ou próximo delas é que conheciam as suas propriedades culinárias. É que a planta, além de nutritiva, apresenta um sabor salgado, podendo ser utilizada na cozinha como substituto do vulgar sal marinho, mas com menos teor de sódio, o que a torna mais saudável.
Três anos mais tarde, o tempo necessário para se certificar como produção biológica, a Salivitae deu então início à comercialização da sua salicórnia e agora os dois sócios estão a estudar a melhor estratégia para entrarem no mercado nacional, até porque, devido às condições climatéricas de seca que o país atravessa, este pode ser um tipo de agricultura com futuro. A planta pode ser cultivada em terrenos outrora férteis para as culturas “tradicionais” e hoje abandonados por escassez de água, já que a rega pode ser realizada com água salobra ou salgada.
Além disso, explica Hugo Mariano, um dos mentores do projeto instalado em Portimão, “este cultivo tem desperdício alimentar zero. O caule comprido da planta, que parece um espargo, divide-se em três partes, cortamos as pontas para venda em fresco, o restante até à raiz usamos para fazer ‘sal verde’ desidratado, que é um dos nossos novos produtos derivados, e as raízes são comercializadas para ração animal”. Um contributo para a proteção do planeta, que se junta ao facto de a Salivitae produzir toda a energia que gasta na sua atividade, através de painéis fotovoltaicos que alimentam a exploração de meio hectare.
Produto: Salicórnia