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Prémio Intermarché Produção Nacional
Capra Power: leite de cabra em bebida inovadora
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Capra Power: leite de cabra em bebida inovadora

A Queijaria Brejo da Gaia, no Tramagal, venceu o Prémio Intermarché Novo Ciclo com uma bebida inovadora, criada a partir do soro de leite de cabra, um subproduto tradicionalmente problemático para o setor. A produtora Susana Carrolo desenvolveu uma solução natural e sustentável que elimina desperdício e cria valor económico.

A transformação de um resíduo problemático numa bebida proteica designada Capra Power valeu o Prémio Intermarché na categoria de Novo Ciclo à Queijaria Brejo da Gaia. À frente do projeto está Susana Carrolo, caprinicultora e produtora artesanal no Tramagal, que encontrou no soro de leite de cabra, tradicionalmente visto como um subproduto poluente, uma oportunidade de criação de valor económico.

“Sou produtora de cabras de leite e faço-o em grande quantidade. Uma parte é transformada por mim, mas o grande problema das pequenas e médias queijarias é o que fazer com o soro”, explica Susana Carrolo, depois de receber o prémio entregue por Nuno Valdiscas, administrador do departamento de marketing do Intermarché.

A investigação ao potencial do soro acabou por revelar “um produto riquíssimo, muito nutritivo, que seria uma pena desperdiçar”. Inspirada por exemplos internacionais, embora escassos na Europa, Susana Carrolo começou a desenvolver uma solução própria, inovadora, embora “no Brasil já existem bebidas gaseificadas com soro de leite”.

A bebida é benéfica para a queijaria porque este subproduto passa de um cursto a uma fonte de receita. É uma mais-valia para todos.

O resultado é uma bebida láctea, energética, produzida a partir do reaproveitamento integral do soro de leite de cabra. “É benéfico para a queijaria porque este subproduto passa de um custo a uma fonte de receita. Não há desperdício, é uma mais-valia para todos”, conta a empresária. “Não tenho dúvidas de que sou pioneira numa bebida de soro de leite de cabra em Portugal.”

A bebida integra ingredientes naturais, como estévia e farinha de alfarroba, refletindo uma preocupação com a saúde e a sustentabilidade. Ainda assim, o desenvolvimento técnico continua a decorrer, conforme explica a vencedora da categoria: “Já cheguei ao produto final, mas agora o desafio é aumentar a validade. Sendo natural e sem conservantes, tem de estar sempre no frio. Neste momento consigo cerca de um mês, mas espero poder prolongar.”

A escolha da embalagem é outro obstáculo. Susana Carrolo prefere utilizar garrafa de cartão, mas não encontra soluções viáveis na Europa, para pequena escala. O vidro permitiria maior durabilidade, com esterilização no próprio recipiente, mas o projeto pede domínio do natural e sustentável.

Escolha certa

Durante anos, as soluções para a reutilização do soro de leite de cabra implicavam o uso em rega ou na alimentação animal, mas atualmente existem restrições legais e operacionais, que se estendem a alternativas como a instalação de uma ETAR. “Tem custos elevadíssimos e uma queijaria de pequena ou média dimensão não tem margem para isso. Existem empresas que fazem recolha, mas apenas em grandes quantidades, o que obriga a armazenamento, um outro problema para estruturas pequenas”, acrescenta Susana Carrolo.

O projeto nasceu de um percurso de duas décadas na caprinicultura. A empresária conta que se iniciou há 20 anos, com o irmão Pedro, ambos zootécnicos. São sócios-gerentes da Quinta da Beata, localizada em Abrantes. A queijaria surgiu há uma década, quando se apaixonou pela arte do queijo, se «colou aos melhores» para aprender e fez formações que se alargaram à Argentina. Atualmente, a Queijaria Brejo da Gaia é reconhecida pela produção artesanal com leite cru de cabra e já soma sete medalhas internacionais. É reconhecida pela aposta na qualidade e sabores tradicionais, garantindo produtos autênticos.

A qualidade começa na origem, segundo Susana Carrolo. “O principal ingrediente está no leite. Se tivermos um leite higienizado e com bem-estar animal, temos tudo. As minhas cabras, as minhas princesas, são bem tratadas, têm boa alimentação. Isso reflete-se diretamente no produto.”

A candidatura da queijeira ao Prémio Intermarché surgiu quase por acaso, ao ouvir as referências ao concurso na televisão, entre a CMTV e o NowCanal, como faz questão de referir. Não é a primeira experiência de Susana Carrolo, que, em 2018, venceu na categoria de Inovação, com um queijo kefir.

Mais do que o reconhecimento, a vencedora encara a distinção do Intermarché como uma oportunidade de crescimento. E reforça: “Espero que me ajude a transformar o leite de cabra e a pôr a queijaria a funcionar a 100%. Quero vender mais e consolidar o projeto. Gostava ainda que os jovens olhassem para o nosso exemplo. Trabalhamos 365 dias por ano, mas o amor aos animais e à natureza compensa.”

De um subproduto problemático nasceu uma solução sustentável e economicamente viável, que pode abrir caminho a novas práticas no setor. “O prémio é a prova de que vale a pena. Começámos do nada, com 120 cabras, passámos por muitas dificuldades, mas fizemos a escolha certa”, conclui Susana Carrolo.

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