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Prémio Intermarché Produção Nacional
Caves do Casalinho: vinho sem álcool é o futuro
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Caves do Casalinho: vinho sem álcool é o futuro

As Caves do Casalinho, em Vizela, foram distinguidas com o Prémio Intermarché na categoria Com Futuro por um vinho verde sem álcool ainda em desenvolvimento. O projeto acompanha uma tendência internacional e procura criar uma alternativa próxima do vinho tradicional, com possível entrada no mercado nos próximos meses.

Um vinho sem álcool, desenvolvido a partir do vinho verde Três Marias e ainda em fase de investigação, valeu o Prémio Intermarché Produção Nacional, na categoria Com Futuro, às Caves do Casalinho. O projeto, liderado por uma nova geração da empresa familiar de Vizela, aposta numa tendência global e procura responder a novos hábitos de consumo, sem perder a identidade vínica.

“A base é vinho, que depois é desalcoolizado a baixa temperatura, através de destilação a vácuo”, explica Joaquim Reis, gestor da empresa, que subiu ao palco para receber o prémio entregue por Mário Rosa, administrador do departamento de marketing do Intermarché. O processo permite retirar praticamente todo o álcool, preservando parte das características originais. “Posteriormente são adicionados componentes naturais para ajustar o perfil de sabor. No final, temos um vinho sem álcool, com menos 80% das calorias.”

O produto, em desenvolvimento, ainda não chegou ao mercado. Joaquim Reis estima que poderá estar finalizado dentro de três meses, pronto para as prateleiras dos estabelecimentos, após os ensaios. O principal desafio está na fidelidade ao vinho tradicional, porque “o álcool dá um paladar muito próprio”. Por isso, “conseguir um produto muito próximo não é fácil, embora também seja uma questão de hábito para o consumidor”.

Tradição e inovação

A aposta das Caves do Casalinho surge num contexto internacional de crescimento desta categoria, sobretudo nos Estados Unidos, onde os vinhos desalcoolizados ganham expressão. “Não é um cenário distante. Em Portugal, creio que é sobretudo uma questão de conhecimento”, defende Joaquim Reis, apontando para um mercado ainda em formação, mas com potencial de expansão.

Além da vertente comercial, o projeto é diferenciador em questões sociais. “Há vantagens evidentes. Um vinho sem álcool à mesa será sempre diferente de um refrigerante e pode contribuir para reduzir comportamentos de risco, como a sinistralidade rodoviária”, destaca o empresário.

A candidatura ao Prémio Intermarché surgiu de forma espontânea. Aconteceu “um pouco por intuição do filho” de Joaquim Reis, líder do projeto em conjunto com outros enólogos, “a pensar em procura de reconhecimento”. A distinção na categoria Com Futuro reforça a aposta da empresa em inovação, sem esmorecer a tradição no setor vitivinícola. “Não pretende substituir o vinho tradicional, mas oferecer uma nova opção, ajustada a diferentes contextos e estilos de vida.”

Não pretende substituir o vinho tradicional, mas ofecerer uma nova opção, ajustada a diferentes contextos e estilos de vida.

Com 84 anos de atividade, as Caves do Casalinho têm raízes que remontam à década de 1940, afirmando-se desde cedo como um projeto familiar ligado à produção e comercialização de vinho verde. Ao longo de várias gerações, a empresa foi consolidando presença no setor, combinando métodos tradicionais com uma crescente aposta na modernização dos processos produtivos e na diversificação da oferta.

Atualmente, as Caves do Casalinho gerem cerca de 30 hectares de vinha na região de vinho verde, na zona de Vizela, próxima de Guimarães. Produzem marcas como o Três Marias e têm autorização para engarrafar vinhos do Douro, tanto tintos como brancos, utilizando uvas próprias, incluindo a casta Alvarinho, um sinal da evolução e capacidade de adaptação da casa ao longo do tempo.

A proposta de um vinho sem álcool surge num momento simbólico para as Caves do Casalinho porque coincide com a celebração dos 70 anos da marca Três Marias e com a necessidade de encontrar novas formas de valorizar o setor vinícola. Este produto presta homenagem à tradição de beber Três Marias numa chávena de chá, acompanhado por um bolo, mantendo a memória desse hábito, mas atualizando-o para os tempos atuais.

A empresa sublinha que estamos a viver “uns loucos anos 20”, diferentes dos do século passado, marcados por uma maior preocupação com a longevidade e com estilos de vida mais equilibrados, o que exige respostas inovadoras por parte dos produtores. Foi neste contexto que nasceu a ideia de criar um produto alternativo, pensado para que as pessoas possam continuar a apreciar o ritual do vinho e, ao mesmo tempo, “viver mais 70 anos”.

Num momento em que o setor do vinho parece “esperar um milagre de vendas”, a empresa reforça que é urgente encontrar novas formas de realçar a atividade. A missão das Caves do Casalinho passa, assim, por valorizar as vinhas e as pessoas, abrindo espaço a produtos diferentes e a novos consumidores, “sem preconceitos”.

Numa primeira fase, o novo vinho sem álcool deverá chegar ao mercado através do Intermarché, parceiro habitual da empresa. “O retalhista terá prioridade, até porque já trabalhamos juntos. Depois, a ideia será alargar a outras superfícies que possam dar visibilidade ao produto”, explica Joaquim Reis.

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