De Arouca para o combate ao fogo
Sallus, um retardante biodegradável e não tóxico desenvolvido pela startup Hephaesnus, vale Menção Honrosa do Prémio Intermarché Produção Nacional e pode chegar a novos mercados.
Sallus, um retardante biodegradável e não tóxico desenvolvido pela startup Hephaesnus, vale Menção Honrosa do Prémio Intermarché Produção Nacional e pode chegar a novos mercados.
A startup portuguesa Hephaesnus, sediada em Arouca, foi distinguida com a Menção Honrosa no Prémio Intermarché Produção Nacional, em reconhecimento do potencial inovador de um produto para travar a progressão das chamas no combate aos incêndios. A distinção surge num momento em que a empresa procura afirmar-se no mercado com soluções tecnológicas sustentáveis, desenvolvidas a partir de uma realidade local marcada pela recorrência de fogos.
Fundada por Amaro Martins, responsável pela gestão e estratégia, e Henrique Bastos, que lidera a área de investigação e desenvolvimento, a Hephaesnus tem apostado na criação de produtos que respondem a necessidades concretas de proteção civil e prevenção. Entre esses produtos destaca-se o Sallus, um retardante de fogo com base aquosa, biodegradável e não tóxica.
O nosso propósito é dar a conhecer o produto, fazer com que as pessoas confiem e,acima de tudo, ajudar quem mais beneficia deste tipo de solução.
Daniela Malafaia, engenheira química na empresa e responsável pelo desenvolvimento e otimização do Sallus, começa por contar que a origem do projeto está profundamente ligada ao território: “Somos uma startup sediada em Arouca, que cresceu muito devido aos imensos incêndios nas nossas serras. Queríamos desenvolver produtos importantes para o combate aos incêndios, para ajudarmos a população e particulares. Queremos chegar aos bombeiros e à Proteção Civil”. Embora já existam retardantes equivalentes ao Sallus no mercado europeu, em países como Espanha e França, a empresa percebeu que “havia uma oportunidade clara, um nicho de mercado em Portugal”.
Para a equipa, o reconhecimento do Prémio Intermarché representa sobretudo uma oportunidade de visibilidade. “O nosso maior objetivo é sermos conhecidos. Quando temos um produto novo é sempre mais difícil convencer as pessoas a aderirem”, admite Daniela Malafaia, emocionada com uma distinção a superar as expectativas, entregue por Pedro Gandum, diretor de marketing do Intermarché. “É um privilégio receber uma menção honrosa. Não estava nada à espera. Os fundadores vão ficar orgulhosos, não tanto pelo prémio em si, mas pelo reconhecimento do trabalho desenvolvido.”
A entrada em cadeias de distribuição como o Intermarché é vista como um passo estratégico para alcançar um público mais alargado. Ainda assim, o foco mantém-se no propósito de gerar confiança e demonstrar eficácia. “Dar a conhecer o produto, fazer com que as pessoas confiem e, acima de tudo, ajudar quem mais beneficia deste tipo de solução”, resume Daniela Malafaia.
A tecnologia desenvolvida pela Hephaesnus surge como complemento às soluções tradicionais. “A água não é uma solução totalmente eficaz. O nosso produto apresenta-se como uma alternativa, que pode ser usada em conjunto com os meios existentes”, explica a engenheira química. “O Sallus tem a particularidade de reagir ao calor. Em contacto com temperaturas elevadas, forma uma espécie de barreira protetora, que impede a progressão do incêndio.”
É um privilégio receber uma menção honrosa. Não estava nada à espera. Os fundadores vão ficar orgulhosos, não tanto pelo prémio em si, mas pelo reconhecimento do trabalho desenvolvido.
Atualmente, a startup está a trabalhar na fase crucial de certificação do Sallus, etapa necessária para garantir a comercialização em segurança, tanto em Portugal como no estrangeiro. Este gel termorresponsivo de proteção imediata e biodegradável é formado por ingredientes naturais. Está pronto a proteger o território desde o momento da aplicação. Não é necessário aguardar a secagem para que a barreira esteja ativa. Em caso de ignição, o gel expande-se instantaneamente para criar uma camada isolante.
Ou seja, o Sallus Retardant utiliza uma formulação de gel de base aquosa que reage à temperatura. Em condições normais, o gel permanece inerte e transparente sobre a superfície tratada. Quando exposto a temperaturas elevadas, o gel sofre uma transição de fase, expande-se rapidamente formando uma camada isolante que impede a propagação das chamas e protege o material subjacente. Esta tecnologia é fundamentalmente diferente dos retardantes tradicionais à base de fosfato de amónio, que são tóxicos e prejudiciais para o ambiente.
Produto com elevada eficácia e fácil aplicação, esta solução surgirá no mercado pronta a usar e sem necessitar de qualquer diluição prévia, simplificando o trabalho em obra ou em manutenção. Cada litro permite cobrir uma área aproximada de 4 m², garantindo um bom rendimento por embalagem e uma aplicação uniforme da superfície.
Após a aplicação, o produto apresenta resistência à chuva ao fim de cerca de duas horas, desde que respeitadas as condições de secagem completa, o que o torna adequado para trabalhos no exterior com alguma imprevisibilidade meteorológica. Esta durabilidade pode atingir quatro semanas, assegurando proteção temporária eficaz durante fases de construção, renovação ou manutenção.