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Prémio Intermarché Produção Nacional
“Queremos ajudar os produtores nas suas atividades”
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“Queremos ajudar os produtores nas suas atividades”

Mário Costa, diretor-geral do Intermarché, garante a continuidade do ADN de proximidade à produção nacional, apesar da volatilidade do contexto internacional e da pressão sobre preços e cadeias de abastecimento.

Na celebração dos 35 anos da marca em Portugal, o diretor-geral do Intermarché, Mário Costa, explica como o Prémio Intermarché Produção Nacional se tornou uma peça central da estratégia de apoio a pequenos e médios produtores. Assume ainda o objetivo ambicioso de caminhar para a autossustentabilidade nas vendas de frescos com base em produtores locais. Entre o apoio técnico, a tentativa de amortecer os aumentos de custos ao longo da cadeia e a recusa em explorar agricultores, o Intermarché quer transformar a rede de proximidade na espinha dorsal do abastecimento das suas lojas em Portugal.

Que balanço faz destes 35 anos de Intermarché em Portugal?
Tem sido um percurso muito diferenciador, face aos outros concorrentes. Por este País fora, durante muitos anos, um elevado número de localidades só tinha o Intermarché como loja de proximidade. Ainda hoje sentimos isso. Nunca perdemos esse ADN de proximidade, seja às comunidades, aos produtores ou entidades locais. Trouxemos para o mercado essa genuinidade, que nos fez sobreviver nestes 35 anos de mercado nacional, muito competitivo, com consumidores exigentes.

Como é que o Prémio Intermarché Produção Nacional se insere na estratégia da empresa?
A nossa estratégia baseia-se em três eixos: insígnia com bons preços e produtos, muita qualidade nos frescos – este Prémio está muito alinhado com esse foco –, e também uma diferenciação local. Damos oportunidade a pequenos produtores de poderem trabalhar connosco regionalmente. Por esta via, apoiamos essa produção de qualidade, mas de pequena escala. Este Prémio é uma oportunidade de valorização do que de bom se faz em Portugal.

Como se concretiza essa vocação?
A nossa aposta passa por incentivar os produtores a terem mais qualidade na produção, mais controlo e a estarmos junto deles, a apoiá-los, nessa viagem. Hoje, temos produtores que ganharam a primeira edição do Prémio e que continuam a trabalhar connosco. Acima de tudo, valorizamos o produto português, de grande qualidade. Um produto que é muitas vezes de pequena escala, mas isso torna-o diferente de grandes produções internacionais com as quais somos inundados noutras cadeias e às quais tentamos resistir.

Queremos garantir que o fornecedor tem condições para incrementar a produção, mas de forma segura, sem exploração pelas grandes cadeias, como se diz na gíria. Não temos essa posição.

Como se chegou ao formato atual do Prémio?
O Prémio tem sido revisto nos seus critérios e, atualmente, a sustentabilidade é um eixo importante, porque a qualidade dos solos garante produções futuras. Incentivamos muito a prática sustentável na produção. Por um lado, com inovação ligada à produção e posso exemplificar com o desperdício de água, um fator muito crítico nos dias que correm. Por outro lado, mediante a introdução no mercado de produtos mais saudáveis, como alternativa a outros mainstream que todos consumimos, mas que não são os mais benéficos à nossa saúde. Estes dois eixos são muito relevantes para nós, além da inovação, porque há espaço para evolução em termos de produção com o recurso crescente a tecnologia.

O valor monetário é apenas uma vertente do Prémio?
O que queremos é ajudar os produtores a darem um empurrão nas suas atividades, mediante o prémio monetário, mas sem esgotar a nossa ação nesse apoio. Temos uma vasta equipa de técnicos de terreno que visitam Portugal diariamente para garantir o acompanhamento das produções, ajudando os fornecedores a produzir melhor. Isto permite-nos a compra de mais produtos com garantias. Para nós, o Prémio tem de ter sempre um carácter de resposta à evolução natural do mercado, mas refletindo a nossa perspetiva sobre o futuro dos produtos frescos. Sentimos muita adesão porque recebemos cada vez mais candidaturas. É uma satisfação porque é um reflexo do nosso trabalho e o reconhecimento deste acompanhamento do Intermarché.

Esse apoio é uma imagem de marca do Intermarché?
Tentamos apoiar todos os produtores e não apenas os premiados. Temos sempre a prioridade de valorizar o produto português em detrimento de outras geografias. Naturalmente, há produtos que não produzimos em Portugal e temos de os comprar lá fora. Mas queremos estar com os produtores portugueses na produção de fruta, legumes, carnes ou peixes.

Como surge a questão da escala dessas produções?
Em muitos casos, já absorvemos a totalidade da produção dos fornecedores, com quem trabalhamos numa perspetiva de crescimento do negócio. Mas de uma forma sustentável, porque não se pretende um crescimento acima das possibilidades. Queremos garantir que o fornecedor tem condições para incrementar a produção, mas de forma segura, sem exploração pelas grandes cadeias, como se diz na gíria. Não temos essa posição. Temos uma prática de parceria e entendemos que podemos gerar valor para os grandes blocos, formados por produtores, retalhistas e consumidores. É o cliente que, no final do dia, valorizará todo o esforço feito a montante. Tem a última sobre palavra se estamos ou não a fazer um bom trabalho.

Qual o segredo do Intermarché para manter um equilíbrio entre esses blocos?
Está relacionado com o crescimento a olhar para o consumidor. Atualmente, vivemos um contexto internacional volátil, que afeta as cadeias de abastecimento de alguns produtos e matérias-primas. Visitamos toda a cadeia de abastecimento e tentamos encurtar processos, circuitos, para também sermos mais eficientes. Procuramos absorver esse impacto ao longo da cadeia para o consumidor final não ter de o sentir na prateleira quando compra os produtos. Esse impacto afeta os produtos do Programa Origens. O Programa Origens, que é muito centrado na qualidade da produção nacional, ajuda a melhorar as técnicas produtivas. Ao produzirmos de forma mais eficiente, com menos custo, a repercussão ao longo da cadeia garante que vamos oferecer um preço mais baixo ao cliente final. Nem sempre conseguimos baixar os preços como gostaríamos, mas amortecer o preço ao longo da cadeia é uma estratégia nossa. Acreditamos que fazemos parte de um ecossistema que tem de garantir a sustentabilidade desse mesmo ecossistema. Sentimos que o nosso contributo passa por esta estratégia, em conjunto com a produção, para amortecermos o impacto dos custos.

Um produto de pequenas escala, muitas vezes, mas isso torna-o diferente de grandes produções internacionais com as quais somos inundados noutras cadeias e às quais tentamos resistir.

Qual o foco dos prémios deste ano?
O Prémio é o corolário de uma candidatura feita no último ano, mas o ciclo não se esgota com o anúncio dos vencedores nas várias categorias. É o início de um novo ciclo, alicerçado em tudo o que fizemos até ao momento. Quando implementamos categorias como inovação e sustentabilidade, estamos a pensar em como vamos trabalhar com este produtor nos próximos cinco ou 10 anos. Tem de haver uma visão estratégica de médio e longo prazo para assegurarmos que estamos no mesmo carril em termos de visão do negócio. Não queremos ter projetos de curta duração, porque achamos que devemos caminhar passo a passo, alicerçados numa visão comum. Os prémios refletem o que nos move para os próximos anos.

Conseguem absorver todos estes candidatos e vencedores nas vossas cadeias de distribuição?
O objetivo do Prémio é incentivar o mais possível a produção nacional a reinventar-se e a não ficar parada no tempo, em processos produtivos arcaicos ou de implementação complicada no contexto em que vivemos. Para nós, é fundamental manter a relação com esses produtores. Porque sentimos que não faz sentido termos um prémio e depois abandonar o produtor decorridos poucos anos. É este o propósito para o futuro: autossustentabilidade nas vendas de frescos com produção nacional. Ainda não conseguimos fazer esse trajeto, não é um caminho fácil, mas sentimos cada vez mais adesão ao Programa Origens. E prova disso é que a nossa equipa no terreno duplicou em dois anos. Cada vez temos mais produtores interessados e para visitar. Diria que estamos numa onda muito positiva de trabalho colaborativo.


Portugal na linha da frente

“Portugal tem condições para liderar o setor agroalimentar.” A mensagem foi deixada pelo representante do Conselho de Administração do Intermarché, Fábio Soares, durante a cerimónia dedicada aos vencedores da 10.ª edição do Prémio Intermarché Produção Nacional, que distribui 75 mil euros pelas categorias Cá da Terra, Com Futuro e Novo Ciclo, realizada na Feira Nacional de Agricultura, em Santarém.

A edição deste ano do Prémio coincidiu com os 35 anos do Intermarché em Portugal e refletiu um reforço do compromisso com a produção nacional. Além de um apoio financeiro crescente, que passou de cinco para 25 mil euros por categoria, a distinção dá aos projetos reconhecidos a oportunidade de chegarem às prateleiras das lojas da marca em todo o País.

“Passadas 10 edições, a nossa estratégia continua a assentar em três compromissos fundamentais: sustentabilidade, mediante o apoio a práticas que protegem o ambiente e garantem o futuro dos nossos recursos; inovação, que visa impulsar a modernização do setor agroalimentar, unindo a tradição às novas tecnologias; e valorização local, encurtando distâncias entre o prado e o prato e garantindo uma remuneração justa aos nossos produtores”, frisou Fábio Soares. “Para o Intermarché, apoiar a produção nacional é uma responsabilidade comercial e social. O consumidor de hoje exige transparência, frescura e pegada ecológica reduzida. Ao premiar os melhores, estamos a injetar confiança no mercado e nas nossas lojas em particular, garantindo o acesso dos consumidores a produtos de qualidade superior”.

Na categoria Cá da Terra, que distingue produtos 100% nacionais, venceu a empresa SaliGreen. As Caves do Casalinho foram consideradas Com Futuro, avaliados os critérios de sustentabilidade ambiental e social, numa lógica de longo prazo. Já a categoria Novo Ciclo, que destaca iniciativas de economia circular e de valorização de desperdícios, distinguiu a Queijaria Brejo da Gaia.

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