Este site usa cookies para melhorar a navegação. Ao navegar no website concorda com o seu uso. Para saber mais leia a nossa Política de Cookies.

Prémio Intermarché Produção Nacional
SaliGreen: o sal verde está a conquistar o mundo
Conteúdos

SaliGreen: o sal verde está a conquistar o mundo

Com menos sódio e mais nutrientes, a salicórnia reutilizada em Aveiro alia inovação, ciência e tradição para substituir o sal refinado. Conquistou o Prémio Intermarché na categoria Cá da Terra.

Ovencedor da categoria Cá da Terra do Prémio Intermarché Produção Nacional veio de Aveiro para contar a história de como a salicórnia, uma planta tolerante a ambientes salinos como a Ria de Aveiro, se está a tornar numa alternativa sustentável ao sal refinado. Este produto inovador, desenvolvido pela empresa Horta dos Peixinhos, cruza tradição e ciência para dar nova vida às antigas marinhas e responder aos desafios atuais da alimentação saudável e da escassez de recursos naturais.

Pertencente à família Amaranthaceae, a salicórnia caracteriza-se pelos seus caules carnudos, ausência de folhas e elevada tolerância à água salgada. A aparência é semelhante ao espargo. Tradicionalmente presente na flora portuguesa, esta planta ganhou uma nova dimensão na transformação em ingrediente alimentar. Desidratada e convertida em especiaria, permite substituir o sal comum em diversas aplicações culinárias, com vantagens significativas para a saúde. Já é designada de sal verde.

“A salicórnia tem menos de 75% do teor de sódio do sal refinado, o que é extremamente benéfico. Em simultâneo, apresenta elevados níveis de cálcio, magnésio e fibras”, explica João Loura, CEO da Horta dos Peixinhos, empresa responsável pela marca SaliGreen. “Não é apenas uma alternativa ao sal, é um recurso mais saudável. O teor de sal de um frasco de salicórnia está abaixo da recomendação diária da Organização Mundial da Saúde [cinco gramas].”

A sustentabilidade na produção também distingue esta planta. Cultivada com recurso exclusivo a água salgada, através de um sistema de comportas que aproveita a água do oceano, a salicórnia não requer água doce, pesticidas ou fertilizantes. Além disso, todo o processo é pensado para eliminar desperdícios. “Parte da planta é utilizada para o sal, outra para cosmética e o remanescente para fertilização. É um ciclo praticamente fechado, no qual tudo é aproveitado”, frisa João Loura, que recebeu o prémio em Santarém das mãos do diretor-geral do Intermarché, Mário Costa.

A salicórnia tem menos de 75% do teor de sódio do sal refinado, o que é extremamente benéfico. Em simultâneo, apresenta elevados níveis de cálcio, magnésio e fibras.

A SaliGreen aposta na salicórnia como ingrediente de assinatura, aproveitando igualmente o extrato para criar cuidados de pele eficazes e de origem natural. Rico em polifenóis, flavonoides, carotenoides, vitaminas e minerais, este extrato oferece forte ação antioxidante e antienvelhecimento, ajudando a firmar e tonificar a pele. Nos produtos da marca, o extrato de salicórnia contribui para aumentar a hidratação, proteger peles secas e sensíveis, reduzir inflamações e reforçar a barreira cutânea. Assim, a SaliGreen posiciona-se como uma solução de cosmética que alia ciência, ingredientes marinhos e compromisso com a sustentabilidade.

Todos ajudam

projeto nasceu há cerca de 15 anos, a partir da necessidade de reabilitação das salinas da família existentes na Ria de Aveiro desde 1891, precisamente com o nome de Peixinhos. “O meu avô tinha estas marinhas e, quando faleceu, começaram a ficar devolutas. Percebemos que, se não fizéssemos nada, os habitats desapareceriam. Foi então que decidimos procurar soluções junto da Universidade de Aveiro”, recorda João Loura, que concilia esta atividade com a carreira militar como oficial do Exército.

A parceria com a Universidade de Aveiro permitiu um crescimento sustentado pelo conhecimento científico. A empresa colabora atualmente não só com universidades portuguesas, como Aveiro, Lisboa e Minho, como internacionais, incluindo instituições na Dinamarca e no Reino Unido. Para João Loura, “este trabalho conjunto tem sido essencial para inovar e escalar a comercialização”.

Este prémio é um reconhecimento muito importante para a empresa, para os colaboradores e para o trabalho desenvolvido com a academia.

De uma produção inicial de cinco toneladas, essencialmente para experimentação, a empresa passou para as atuais 200 toneladas anuais. A SaliGreen exporta para vários mercados europeus e já iniciou a expansão para geografias como os Estados Unidos, Índia e, potencialmente, Japão. Ainda assim, o principal desafio é dar a conhecer o produto ao consumidor. “Há muita procura, mas as pessoas ainda não foram educadas para consumir salicórnia. É fundamental explicar que podem substituir o sal refinado por este produto sem perder sabor”, lembra o empresário.

A distinção do Intermarché é encarada como um impulso relevante nessa busca de comunicação. “Este prémio é um reconhecimento muito importante para a empresa, para os colaboradores e para o trabalho desenvolvido com a academia. Ajuda-nos a dar visibilidade a um produto que ainda é pouco conhecido, mas nasceu em Portugal e tem grande potencial de internacionalização”, defende João Loura. A cadeia de distribuição apresenta-se igualmente como uma oportunidade estratégica de “fazer chegar a salicórnia a mais consumidores e consolidá-la no mercado”.

Uma Iniciativa

Apoio

Knowledge Partner